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Digital Identity

O que o UAE Pass realmente prova, e o unico tribunal para o qual ele nunca foi construido

In short

O UAE Pass e o decreto-lei de 2021 fazem um trabalho real dentro dos Emirados. Dao valor juridico a uma assinatura eletronica e a tornam admissivel nos tribunais emiradenses. Fica em aberto o que um arquivo mostra sozinho quando a disputa vai parar num foro estrangeiro.

Uma empresa de Dubai assina um contrato de fornecimento com um fabricante alemao. Tudo passa pelo UAE Pass, o arquivo e guardado, e ninguem volta a olhar para ele. Dois anos depois, uma disputa de entrega chega a um tribunal de Hamburgo. A pergunta nao e se as duas partes concordaram. E se aquele arquivo, sozinho, diante de um juiz que nunca viu uma assinatura do UAE Pass, mostra o que se diz que ele mostra.

O que a lei de 2021 estabeleceu

O marco dos Emirados Arabes Unidos e o Decreto-Lei Federal n. 46 de 2021 sobre transacoes eletronicas e servicos de confianca, promulgado em 20 de setembro de 2021, que revogou a Lei Federal n. 1 de 2006 sobre comercio e transacoes eletronicas. Ele cumpre duas funcoes: define a validade dos documentos eletronicos e fixa requisitos de licenciamento para prestadores de servicos de confianca, ou seja, as entidades autorizadas a criar, validar e preservar assinaturas eletronicas, selos e certificacao digital. A segunda funcao e a mais discreta, e um regime de assinatura vale apenas o que vale a supervisao por tras dele.

A lei reconhece tres niveis de assinatura eletronica:

  • Assinaturas eletronicas simples
  • Assinaturas eletronicas avancadas
  • Assinaturas eletronicas qualificadas

As assinaturas avancadas e qualificadas oferecem maior garantia, e as qualificadas sao equiparadas a assinatura manuscrita em documentos oficiais. Todos os tipos reconhecidos sao admissiveis nos tribunais emiradenses e nao podem ser excluidos apenas por serem eletronicos. Isso tira da mesa a discussao sobre formato.

O tempo tambem ganhou regras proprias. A Resolucao do Gabinete n. 28 de 2023, publicada em 14 de abril de 2023, fixa as condicoes dos carimbos de tempo eletronicos qualificados nos termos do regulamento de execucao do decreto-lei, e apenas prestadores qualificados de servicos de confianca podem emiti-los. Essa limitacao transforma um carimbo de tempo em uma atestacao, e nao num numero escrito dentro de um arquivo.

A que o UAE Pass responde

O UAE Pass e a identidade digital nacional que permite a uma pessoa autenticar-se e assinar dentro daquele marco. Responde a uma unica pergunta com a confianca de um Estado: quem e esta pessoa. A assinatura fica ligada a uma identidade nacional verificada, e nao a um endereco de email e a um nome digitado. Dentro dos Emirados isso e quase ideal, porque cada elo esta no mesmo ordenamento. Os niveis constam da lei, a admissibilidade esta resolvida, e a supervisao remonta a uma autoridade licenciadora no mesmo pais do tribunal.

O tribunal para o qual ele nunca foi construido

Um esquema de identidade nacional fala ao seu proprio ordenamento. Isso nao e critica, e o escopo do projeto. O UAE Pass foi construido para que uma pessoa nos Emirados possa provar quem e perante instituicoes emiradenses e assinar de um modo que o direito emiradense reconhece.

O que muda e onde a disputa vai parar. Um contrato assinado em Dubai pode terminar diante de um tribunal em Frankfurt, Zurique ou Nova York, porque e ali que a contraparte esta ou porque a clausula de foro assim determina. Naquela sala a pergunta e outra. Ninguem pergunta o que diz o direito emiradense. Pergunta-se o que o arquivo em si mostra, e quanto disso depende de os sistemas do pais emissor estarem acessiveis naquele dia.

Isso e um problema pratico antes de ser juridico. Estabelecer o alcance de um marco estrangeiro perante um foro estrangeiro costuma exigir prova pericial sobre o direito do Estado emissor, documentacao sobre a supervisao do prestador, e tempo. Nada disso diz algo negativo sobre o marco que esta sendo explicado. E apenas mais lento do que uma prova que se sustenta sozinha. O Regulamento eIDAS na Uniao Europeia e a ZertES na Suica tem a forma que tem pela mesma razao: cada um define, no proprio espaco, o que e um servico de confianca qualificado, de modo que um tribunal de la ja sabe le-lo.

O mesmo arquivo, duas salas

O que precisa ser estabelecidoNos EmiradosPerante um foro estrangeiro
Quem assinouUma identidade nacional verificadaOs mesmos dados, lidos atraves do marco emissor
Se a forma eletronica e admissivelResolvido por leiSegundo as regras de prova daquele foro
Quem supervisiona o prestadorUma autoridade licenciadora emiradensePrecisa ser explicado e provado, geralmente por perito
Quando o arquivo existiuUm carimbo de tempo eletronico qualificadoDepende de o carimbo se verificar sem ajuda

Identidade nao e autoria

Tudo isso trata de ate onde a prova viaja. Ha um segundo limite que nao tem nada a ver com fronteiras. Uma assinatura prova quem assinou. Nao prova quando um arquivo existiu nem quem o fez primeiro, e esses sao fatos distintos que exigem provas distintas. Um contrato assinado diz que duas partes nomeadas consentiram numa data. Nao diz nada sobre o rascunho, o arquivo de design ou o conjunto de dados que existiam antes de qualquer assinatura, e as disputas de autoria giram em torno desse material anterior. Nenhum esquema de identidade foi construido para responder a isso. O que responde e um registro datado e inviolavel do proprio arquivo.

O que fazer antes do proximo arquivo transfronteirico

Nada disso defende abandonar um esquema nacional. Defende acrescentar um segundo registro onde o primeiro nunca foi feito para chegar.

  • Continuar assinando pelo esquema nacional quando a contraparte e o foro provavel forem ambos domesticos. Ali ele e a ferramenta certa
  • Havendo contraparte estrangeira ou clausula de foro estrangeiro, acrescentar um registro que se verifica sozinho: um selo qualificado e um carimbo de tempo de um servico de confianca independente
  • Selar o trabalho produzido, nao apenas o contrato assinado. Rascunhos, projetos e conjuntos de dados sao o verdadeiro objeto das disputas
  • Fazer isso quando o arquivo estiver final. Um registro criado depois de comecada a disputa pesa menos
  • Manter o caminho de verificacao curto o bastante para alguem seguir daqui a tres anos

A Swiss Trust Layer aplica selos e carimbos de tempo qualificados sob o marco suico, de modo que um arquivo carrega a prova do seu conteudo e da sua data, verificavel diretamente por um terceiro. Ler como funciona e um proximo passo razoavel.

O UAE Pass faz aquilo para que foi projetado. O que sobra esta fora do seu escopo: mostrar o que um arquivo continha, e quando, a alguem que nao tem motivo para acreditar na sua palavra.

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